CID APLV: quais códigos são usados e para que servem

Estetoscópio e caneta sobre uma ficha médica
Foto: CC0 (domínio público), via rawpixel

Não existe um único CID APLV. O protocolo do SUS para a alergia à proteína do leite de vaca usa o código R63.8 do CID-10, e outros códigos podem aparecer no laudo conforme a forma como a alergia se manifesta (na pele, no intestino, na respiração). Quem escolhe o código é sempre o médico.

Abaixo você vê de onde vêm esses códigos, quais são os mais usados segundo documentos oficiais e para que o CID serve no dia a dia.

O que é CID e por que ele aparece no laudo

CID é a Classificação Internacional de Doenças, uma lista da Organização Mundial da Saúde. Cada doença, sintoma ou problema de saúde tem um código de letra e números. No Brasil, a versão mais usada nos documentos é o CID-10, que o Ministério da Saúde publica no site do DATASUS.

O código serve para que todo mundo (SUS, plano, escola, empresa) entenda o diagnóstico do mesmo jeito, sem depender da letra do médico. Ele não muda o tratamento: é uma forma de registro.

CID 10 APLV no protocolo do SUS: R63.8

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da APLV, preparado pela Conitec do Ministério da Saúde, lista um único código na seção de CID-10:

  • R63.8 — Outros sintomas e sinais relativos à ingestão de alimentos e de líquidos.

A descrição oficial desse código está no capítulo R do CID-10 no DATASUS. O nome não fala em “leite”, e isso confunde muita família. Mas é o código que o protocolo nacional usa para a APLV.

CID alergia a proteína do leite de vaca: outros códigos usados

A APLV pode aparecer de jeitos diferentes. O guia internacional iMAP (2017) separa a forma IgE mediada, de reação rápida, da não IgE, de reação tardia, que inclui enterocolite, enteropatia e proctocolite; existe também a forma mista. Por isso, alguns programas aceitam outros códigos, ligados ao sintoma principal. O Protocolo Estadual de APLV do Amazonas (2026) traz uma tabela com os CID-10 aceitos no programa, separados pela forma da alergia:

  • R63.8 — Outros sintomas e sinais relativos à ingestão de alimentos e líquidos (APLV).
  • L50.0 — Urticária (pele; forma IgE mediada).
  • T78.1 — Angioedema, o inchaço (pele; forma IgE mediada).
  • L58.8 — Eritema morbiliforme, manchas vermelhas na pele (forma IgE mediada).
  • H13.2 — Rinoconjuntivite (respiratória; forma IgE mediada).
  • J20 — Broncoespasmo (respiratória; forma IgE mediada).
  • T78.0 — Choque anafilático (reação generalizada; forma IgE mediada).
  • K23.8 — Esofagite eosinofílica (intestinal; forma mista).
  • K52.2 — Gastroenterite eosinofílica e enterocolite (intestinal; formas mista e não IgE).
  • L27.2 — Dermatite devida a alimentos ingeridos (pele; forma mista). O protocolo chama de dermatite atópica, mas no CID-10 a dermatite atópica é o L20.
  • K21.0 e K21.9 — Doença do refluxo, com ou sem esofagite (intestinal; forma não IgE).

No CID-10 oficial, o K52.2 se chama “Gastroenterite e colite alérgicas ou ligadas à dieta” (DATASUS).

Essa lista é de um programa estadual. Outros lugares podem aceitar só o R63.8 ou pedir códigos diferentes. Se você precisa do laudo para um programa, pergunte na secretaria quais códigos ele aceita e leve essa informação ao médico.

Se ainda não sabe bem o que é IgE mediada ou não, o guia o que é APLV explica as formas da alergia, e o texto de sintomas de APLV mostra como cada uma costuma aparecer.

Infográfico CID APLV: o código R63.8 do protocolo do SUS, outros códigos CID-10 aceitos no programa do Amazonas e o E73 da intolerância à lactose
Infográfico: APLV Sem Segredo

Quem escolhe o CID da APLV

O código é escolhido pelo médico que fez o diagnóstico, de acordo com a forma da alergia e com o que ele observou na consulta. E o código vem depois do diagnóstico: segundo a diretriz da Organização Mundial de Alergia sobre exclusão e reintrodução (2023), não existe exame único para APLV, e a confirmação junta a história clínica, a retirada do leite e a volta dele para ver se os sintomas reaparecem. Não dá para a família escolher ou trocar o código por conta própria, e um laudo com CID “errado” para o programa pode atrasar o pedido.

O que a família pode fazer:

  • Anotar os sintomas, as datas e o que a criança comeu, e levar à consulta.
  • Contar ao médico para que o laudo vai servir (fórmula pelo SUS, escola, plano, trabalho).
  • Pedir que o laudo traga também, por escrito, o nome da alergia: “alergia à proteína do leite de vaca”. Muita gente não conhece o R63.8, e o nome por extenso evita confusão.

Para que serve o CID da APLV no dia a dia

Pedido de fórmula pelo SUS ou pelo plano

Programas de fórmula e planos de saúde costumam exigir laudo com CID. Veja o passo a passo em fórmula APLV pelo SUS.

Escola e creche

O laudo com CID ajuda a escola a entender que não é “frescura” nem intolerância. A Lei 12.982/2014 prevê cardápio especial na alimentação escolar pública para alunos com condição de saúde específica, com base em recomendações médicas e nutricionais.

Plano de saúde, trabalho e viagem

O CID aparece em pedidos de exame e de consulta com especialista, em atestados e em cartas para companhias aéreas ou hotéis. Para adultos, pode ajudar no trabalho, em restaurantes de empresa e em viagens. Veja mais em APLV em adultos.

CID da APLV não é o mesmo da intolerância à lactose

Intolerância à lactose tem outro código no CID-10: o grupo E73 (“Intolerância à lactose”), segundo o DATASUS. São problemas diferentes: na APLV o sistema imune reage às proteínas do leite; na intolerância, falta a enzima que digere o açúcar do leite, como resume uma revisão de 2024 sobre as duas condições no bebê. Entenda em APLV ou intolerância à lactose.

Se o laudo da APLV vier com o código da intolerância, vale conversar com o médico antes de levar ao programa ou à escola, porque isso pode gerar confusão no tipo de alimento ou de fórmula oferecida.

Fontes científicas

  • Venter C et al. Better recognition, diagnosis and management of non-IgE-mediated cow's milk allergy in infancy: iMAP. Clin Transl Allergy, 2017. PubMed
  • Meyer R et al. DRACMA Guideline update - VII - Milk elimination and reintroduction in the diagnostic process of cow's milk allergy. World Allergy Organ J, 2023. PubMed
  • Darma A et al. Lactose Intolerance versus Cow's Milk Allergy in Infants: A Clinical Dilemma. Nutrients, 2024. PubMed

Perguntas frequentes

Qual é o CID da APLV?

O protocolo do SUS (PCDT da Conitec) usa o CID-10 R63.8, “outros sintomas e sinais relativos à ingestão de alimentos e de líquidos”. Outros códigos podem ser usados conforme o sintoma principal, e quem escolhe é o médico.

Qual é o CID 10 de alergia à proteína do leite de vaca no laudo para fórmula?

Depende do programa. O PCDT nacional usa o R63.8. O programa do Amazonas, por exemplo, aceita também códigos como L27.2, K52.2, K21.0 e T78.1, conforme a forma da alergia. Pergunte na secretaria quais códigos o programa da sua cidade aceita.

O CID da APLV é o mesmo da intolerância à lactose?

Não. A intolerância à lactose fica no grupo E73 do CID-10. A APLV é uma alergia à proteína do leite e usa outros códigos, como o R63.8.

Posso pedir para o médico mudar o CID do laudo?

Você pode explicar para que o laudo vai servir e perguntar se o código atende o programa. A escolha final é do médico, de acordo com o diagnóstico.

Quer ver como outras famílias organizaram laudo, escola e fórmula? Entre na comunidade APLV Sem Segredo no WhatsApp e pergunte.

Este texto é informação e troca de experiência; não substitui o pediatra, o alergista ou o nutricionista. Em caso de reação grave — falta de ar, inchaço no rosto ou nos lábios, vômitos repetidos, moleza — ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.