CE · Leite APLV pelo SUS
Leite APLV pelo SUS no Ceará: como conseguir a fórmula
No Ceará, quem entrega o leite especial (fórmula) para APLV é o Governo do Estado, pelo Programa de Alergia à Proteína do Leite de Vaca da Secretaria da Saúde (Sesa), ligado ao Hospital Infantil Albert Sabin. Atende crianças de 0 a 2 anos, 11 meses e 29 dias. O primeiro passo é levar o laudo médico ao posto de saúde (em Fortaleza) ou à Secretaria de Saúde do seu município (no interior).
Quem fornece o leite para APLV no Ceará
O SUS incorporou em 2018 as fórmulas para crianças de 0 a 24 meses com APLV (Portaria SCTIE/MS nº 67/2018), mas o protocolo nacional que diria como entregar ainda não foi publicado. No Ceará, o Estado tem programa próprio desde 2005: o Programa de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (Programa APLV) da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), com protocolo clínico publicado em 2019. O programa atende crianças de Fortaleza e de todos os municípios do interior, com consultas de médico, nutricionista e enfermagem e entrega mensal da fórmula. As prefeituras fazem a porta de entrada: o posto de saúde (em Fortaleza) ou a Secretaria Municipal de Saúde (no interior) cadastra a criança no sistema de regulação, e a consulta é marcada num dos centros de referência do programa em Fortaleza.
Programa: Programa de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (Programa APLV) — Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), com o Hospital Infantil Albert Sabin (Hias)
Passo a passo para pedir
- Peça ao médico um laudo com o diagnóstico de APLV, a descrição dos sintomas, a história clínica e o pedido de entrada no Programa APLV (há um formulário de entrada no anexo do protocolo da Sesa).
- Se mora em Fortaleza, leve o laudo e os documentos ao posto de saúde (UAPS) mais perto de casa e peça o cadastro no sistema do SUS no procedimento "GASTROENTEROLOGIA – APLV".
- Se mora no interior, vá à Secretaria de Saúde do seu município com a ficha de referência preenchida pelo médico e os documentos, para o mesmo cadastro.
- Aguarde a ligação da Secretaria Municipal de Saúde com a Guia de Agendamento, que traz o dia, o local e o horário da primeira consulta.
- Na primeira consulta, a criança passa pela enfermagem, pelo médico e pelo nutricionista do programa; quem indica a fórmula é o médico do programa.
- Depois, a fórmula é entregue uma vez por mês, em data marcada; vá às consultas de retorno e aos testes marcados, porque faltar pode suspender a entrega.
- Se o pedido for negado ou demorar demais, peça a resposta por escrito e procure a Defensoria Pública do Ceará.
Onde pedir
Em Fortaleza, no posto de saúde (Unidade de Atenção Primária à Saúde, UAPS) mais perto de casa. No interior, na Secretaria de Saúde do município, que também pode receber a ficha de referência emitida pelo posto, policlínica ou hospital municipal. As consultas acontecem num dos centros de referência do programa: Centro de Especialidades do Hospital Infantil Albert Sabin, o próprio Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) ou o Núcleo de Atenção Médica Integrada da Unifor (Nami). Segundo a página do programa, a fórmula é retirada no Centro de Especialidades do Hias (Rua Jorge Acúrcio, 807, Vila União, Fortaleza), de segunda a sexta, das 7h às 17h. Contatos oficiais do programa: consultas (85) 98102-9560 e aplv@saude.ce.gov.br; entrega de fórmulas (85) 98208-9012 e aplvdistribuicao@saude.ce.gov.br.
Documentos que costumam pedir
- Laudo médico (ou formulário de entrada do programa) com diagnóstico de APLV, sintomas, história clínica e pedido de entrada no Programa APLV; em Fortaleza, pode ser de médico do SUS, particular ou de plano de saúde
- No interior: ficha de referência do município, preenchida, assinada e carimbada por médico do SUS
- Documentos do responsável: identidade (ou outro documento oficial com foto), CPF e comprovante de residência em nome do pai ou da mãe
- Documentos da criança: Cartão SUS e certidão de nascimento
- Na primeira consulta: a Guia de Agendamento e a caderneta de vacinação da criança
Quais fórmulas e para quem
O protocolo da Sesa cita, para quando o leite materno não está disponível, fórmulas à base de soja, fórmulas extensamente hidrolisadas (com ou sem lactose) e fórmulas à base de aminoácidos. Quem indica o tipo e a quantidade é o médico e o nutricionista do programa, conforme o caso da criança. O leite materno continua sendo a primeira opção sempre que possível.
Idade: De 0 a 2 anos, 11 meses e 29 dias. Depois dos 3 anos (e até 14 anos), só continua recebendo a fórmula a criança que já está no programa e tem alergia a vários alimentos comprovada em teste de provocação oral, esofagite eosinofílica comprovada em biópsia ou desnutrição. Mesmo sem a fórmula, a criança continua com direito ao acompanhamento médico e nutricional.
Prazo e renovação: A fórmula é entregue a cada 31 dias, em data agendada. As consultas de retorno acontecem no máximo a cada seis meses (ou antes, se a equipe pedir), e é preciso laudo atualizado do médico e do nutricionista do programa. Quem fica mais de 60 dias sem buscar a fórmula precisa passar por nova consulta. O tempo de espera para a primeira consulta não é publicado: a fila segue a ordem de chegada e a gravidade do caso.
Em Fortaleza
Em Fortaleza, o leite especial vem do programa estadual (Sesa), não de um programa próprio da prefeitura. A família vai ao posto de saúde (UAPS) mais perto de casa com o laudo médico — que pode ser de médico particular ou de plano de saúde — e os documentos, e pede o cadastro no procedimento "GASTROENTEROLOGIA – APLV". Não é obrigatório passar pelo médico do posto, nem levar exames de sangue. A Secretaria Municipal de Saúde liga com a Guia de Agendamento da primeira consulta num centro de referência do programa. Se faltar à primeira consulta, é preciso voltar ao posto e fazer novo cadastro.
E se negarem?
Peça a negativa por escrito, com o motivo, no posto de saúde, na Secretaria Municipal de Saúde ou no próprio programa. Leve a negativa, o laudo médico e os seus documentos à Defensoria Pública do Ceará: ela tem o Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa), que já atuou em casos do Programa APLV. Também dá para registrar o caso na Ouvidoria do SUS pelo 136 ou procurar o Ministério Público da sua cidade. Cada caso é analisado, e não há garantia de resultado.
Defensoria Pública do Estado do Ceará – Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa) · Ouvidoria do SUS: 136
Perguntas frequentes
O Estado do Ceará dá leite (fórmula) para bebê com APLV?
Sim. A Secretaria da Saúde do Ceará tem o Programa APLV desde 2005, que entrega a fórmula de graça e acompanha a criança com médico e nutricionista. O pedido começa no posto de saúde (Fortaleza) ou na Secretaria de Saúde do município (interior).
Laudo de pediatra particular serve para entrar no programa?
Para quem mora em Fortaleza, sim: o laudo pode ser da rede SUS, particular ou de plano de saúde. No interior, a página da Sesa pede a ficha de referência do município assinada por médico do SUS.
Moro no interior. Preciso ir a Fortaleza para pegar a fórmula?
As consultas do programa ficam em Fortaleza, e a página oficial indica a retirada no Centro de Especialidades do Hias. A Sesa disse em 2025 que começou a descentralizar a entrega, e a Justiça mandou o Estado regionalizar o atendimento no Cariri. Pergunte na Secretaria de Saúde do seu município se já há ponto de entrega mais perto.
Meu filho fez 3 anos. Ainda recebe a fórmula?
Em geral, não: o programa entrega até 2 anos, 11 meses e 29 dias. Depois disso, só em casos de alergia a vários alimentos, esofagite eosinofílica ou desnutrição. O acompanhamento médico e nutricional continua.
O que acontece se eu faltar à consulta de retorno?
A entrega da fórmula pode ser suspensa até a nova consulta, e faltar a três consultas seguidas tira a criança do programa. Remarque pelo telefone, e-mail ou na recepção e leve o atestado ou a declaração do motivo da falta.
Fontes oficiais
- Programa de Alergia à Proteína do Leite de Vaca – página oficial da Secretaria da Saúde do Ceará (atualizada em maio de 2026)
- Protocolo Clínico para Pacientes do Programa APLV, 2ª edição (Sesa-CE, 2019)
- Manual Informativo Alergia à Proteína do Leite de Vaca (Comitê Estadual de Saúde do TJCE e Sesa-CE, 2024)
- Comitê Estadual de Saúde e Sesa lançam manual informativo sobre APLV (Sesa-CE, 07/11/2024)
- APLV: experiência do Ceará é levada à Comissão Intersetorial de Alimentação e Nutrição (Sesa-CE, 26/06/2024)
- Com investimento de R$ 231 mil, mutirão amplia atendimento para pacientes com APLV em todo o Ceará (Sesa-CE, 07/07/2025)
- Novo Ambulatório de Especialidades do Hias será sede do Programa APLV (Sesa-CE, 15/12/2023)
- No Cariri, atuação da Defensoria fortalece atendimento a crianças com APLV (Defensoria Pública do Ceará, 27/01/2026)
- Defensoria Pública do Ceará – locais de atendimento
- Portaria SCTIE/MS nº 67, de 23 de novembro de 2018 (Ministério da Saúde)
- Relatório de recomendação da Conitec: fórmulas nutricionais para crianças com APLV (2018)
Informações conferidas em 11 de outubro de 2026. Regras de governo mudam: confirme na Secretaria de Saúde antes de ir. Quem indica a fórmula é sempre o médico.